20 dezembro 2008

Dois Poemas de Ulysses Rocha Filho



por Ulysses Rocha Filho


Coisa de Minuto


Vem, me pega, me morde
Me joga na parede
me faz lagartixa
que o homem vem
que a sogra espreita
que a adrenalina subiu
que o cio pede
e eu desejo ardentemente!

Vem, me xinga
me pega de jeito
de qualquer jeito
à qualquer hora
quando puder
e quando quiser...

Tô fazendo justiça com mãos
matando cachorro a grito
Metendo os pés na jaca
No minuto do sexo sem nexo
Pra dizer que te quero!

Quirodáctilo

Toquei o dedo no meio
Do nada do sexo
E comecei acariciando
O mais belo favo de mel...

Viajei por outros caminhos
Desci aos infernos da solidão
(Percebendo presença de multidão)
Mas alcancei um prazer supremo....

Como nunca imaginara,
Descobri na dor do prazer,
entre o dedo indicador e o anelar,
A falsa realização do sonho...

Em cada palavra – mentiras!
Em cada olhar – verdades!
Em outros sonhos – ilusão!
Em cada dedo, no sexo – um não!

Ulysses Rocha Filho é professor, mora em Catalão-Go, escreve seus contos e poemas, relaciona literatura e cinema além de tentar ser pai e marido exemplar e manusear um blog: ULYSSITUDES.

12 dezembro 2008

Duas telas de Maisa Pacheco

Feminilidade
Sensualidade

Maisa Pacheco é artista plástica e reside em Catalão. Iniciou suas atividades artísticas na Fundação Cultural Maria das Dores Campos e atualmente é aluna no Atelier do Prof. Sérgio. Cursa Letras e Artes Visuais (EAD). Estas duas telas exploram aspectos do feminino, ressaltando símbolos relacionados à sedução feminina e à sexualidade.

O que é na verdade o Kama Sutra?


por Luciana Machado

Quem já ouviu falar do Kama Sutra? Muitos, não é mesmo? Para alguns a palavra pode soar como sinônimo do pornográfico ou do imoral. Pode ser também sinônimo de catálogo de posições sexuais.


O que poucos sabem é que o Kama Sutra, na verdade, buscou descobrir quais as melhores maneiras de se conquistar a felicidade e o prazer: “a arte indiana do amor”. O Kama Sutra foi escrito originalmente em sânscrito (por volta de 100 e 400 d.C) como Vatsyayana Kamasutram (ou "Aforismos sobre o amor, de Vatsyayana"), cujo autor era o próprio Mallanaga Vatsyayana.


Seria, então, arte, cultura, poesia, religião, ciência? Um pouco de tudo. Segundo a tradução da versão clássica da obra por Richard Burton, pode-se dizer que o Kama Sutra, apesar de parecer blasfemo, é uma obra sobre a ciência e a realização divina, que abrange três esferas: Kama, Dharma e Artha. Traduzindo seria:


Kama – é o amor, o prazer, a satisfação sensual.


Dharma – aquisição do mérito religioso.


Artha – aquisição de riquezas e bens.


Estes seriam os princípios de uma ciência. O homem que a pratica consegue grandes conquistas em sua vivência, pois, na junção desses aspectos – a virtude, a riqueza e o amor – encontra-se a verdadeira satisfação e a verdadeira felicidade. Sendo Kama técnica que pode ser aprendida, o Kama Sutra funciona como um meio de aperfeiçoá-la tendo em vista a verdadeira felicidade.


O verdadeiro Kama Sutra, obra sobre a arte indiana do sexo e do amor, analisa técnicas sexuais e dá “conselhos” a homens e mulheres. O Kama Sutra passou a ter grande influência sobre a vida literária e artística em geral na Índia, tornando-se posteriormente uma obra clássica.


A obra foi escrita em partes que falam de diferentes assuntos, como: abraços, arranhões, beijos, união entre fêmeas e machos, esposas, maridos, cortesãs, e claro sobre a arte da sedução.


Você sabe o poder de um beijo? Quer aprender um pouco mais sobre as técnicas do beijo com o Kama Sutra? Então, delicie-se com este trecho da obra.

Boa leitura!

LEIA O CAPÍTULO SOBRE O BEIJO [pdf]

Referências:

VATSYAYANA, Mallanaga. Kama Sutra. Traduzido da versão clássica de Richard Burton por Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Jorges Zahar, 1988.

Curiosidades sexuais: Castigo da Anágua


por Blenda Vieira

A rebeldia dos jovens, principalmente homens, não é de hoje. E essa rebeldia sempre incomodou os familiares, mas, as inglesas e as escocesas usaram a técnica do “castigo da anágua” para controlar essa rebeldia. O castigo era simples. O grau de transformação dependia da rebeldia do menino. Para alguns o uso de gravata borboleta, calças curtas, ou tecido de veludo já eram suficientes. Para outros laços nos sapatos, pernas depiladas, roupas intimas femininas e o direito das mulheres friccionarem suas genitálias. O castigo era muito temido pelos jovens porque as mulheres sempre fizeram parte de uma classe inferior da sociedade. Os jovens se sentiam literalmente rebaixados.
LOVE, Brenda. Enciclopédia de práticas sexuais. Tradução de Maria de Fátima
Rodrigues. Rio de Janeiro: Gryphus, 1997.

10 dezembro 2008

Liberação da mulher por meio da obra poética de Gilka Machado


por Rubia Lanie Vaz


A finalidade deste post é apresentar a obra poética de Gilka Machado, visto que a mesma representou um marco importante para a liberação da mulher por meio de seus poemas.

Ao analisar a poesia de Gilka Machado, percebe-se que esta quebra as expectativas em relação à poesia produzida por mulheres, tanto em função dos temas abordados como da qualidade dos versos, levando em conta os critérios dos críticos mais conservadores a respeito da forma. Os poemas audaciosos desafiavam os preceitos e a conduta moral de sua época, colocando pânico nos falsos moralistas do século, visto que a mesma era uma mulher avançada em relação a seu tempo. Emerge então um eu-lírico dividido pelos discursos sobre a atuação sexual das mulheres, que se desenvolvia em direções diferentes, como apresenta o poema que se segue:

A que busca em mim, que vivo em meio
de nós, e nos unindo nos separa,
não sei bem aonde vai, de onde me veio,
trago-a no sangue assim como uma tara.

Dou-te a carne que sou... mas teu anseio
fora possuí-la – a espiritual, a rara,
essa que tem o olhar ao mundo alheio,
essa que tão somente astros encara.

Porque não sou como as demais mulheres?
Sinto que, me possuindo, em mim preferes
aquela que é meu íntimo avantesma...

E, ó meu amor, que ciúme dessa estranha,
dessa rival que os dias me acompanha,
para ruína gloriosa de mim mesma!

No poema, trava-se uma luta entre duas faces de um eu-lírico no feminino: por um lado, deveria agir de acordo com o modelo de mulher assexuada enunciado pelos discursos conservadores, a qual jamais deveria admitir o desejo e por outro, a face que não é aquilo que se espera dentro desses discursos sobre o papel das mulheres de bem.

Surge, nesse poema, uma espécie de separação entre aquilo que se deveria ser e aquilo que se gostaria de ser. Baseado em um sistema de oposições binárias: corpo e alma, mulher e homem, típica da maioria das sociedades que se conhece, a expressão da sensualidade nas mulheres é vista como o oposto da decência (“Trago-a no sangue assim como uma tara”, “para a ruína gloriosa de mim mesma”).

Sob esse ponto de vista, as diferenças entre pessoas só é idealizada sob a crença em essências feminina e masculina, ou seja, entre homens e mulheres, embora o eu-lírico considere-se diferente das outras mulheres pela rebeldia, pelo fato de que não pode conter o desejo, não importando, nesse caso, qual papel o amante prefira que ela represente.

O eu-lírico recusa a passividade que se costuma exigir das mulheres em relação à atividade erótica. As imagens eróticas são recriadas por diferentes vozes femininas, fazendo emergir uma constante tensão entre a consciência literária do erotismo e a consciência erótica do literário. Nesse sentido, a temática erótica traz uma forte densidade literária, visto que ao reatualizar a verdade mítica, simultaneamente, é transmitida uma atitude autocrítica, por se tratar de uma produção poética feminina.

No entanto, é preciso ter uma consciência plena de que a mulher que reflete e expõe o erotismo livremente é a mesma que pensa e diz o seu papel, enquanto construtora da sociedade. São faces do mesmo processo. O autoconhecimento erótico leva ao conhecimento do outro e do mundo e à consciência do poder de transformá-lo com vontade própria.

Os textos escritos sob a consciência literária do erotismo são ricos em referências poéticas, e consequentemente, estes contribuem na construção da identidade com a vivência do desejo, visto que os mesmo percorrem um caminho que vai da aprendizagem para a descoberta, e concomitantemente para o saber, percorrido em contato com a Natureza.

Os poemas, de algum modo, nos sugerem que não é a satisfação compartilhada do desejo apenas ponto de chegada da experiência erótica, mas também marco de partida para o equilíbrio global e para a edificação de concretas utopias. É importante observar como poesia e pensamento estão juntos, mais uma vez, encaminhando-nos para a produção de uma existência solidária e, por isso, radicalmente humana. A qual nos leva a perceber que a Poesia não é apenas um texto construído, acabado, estruturado, mas, sobretudo força geradora de sentidos. Por esse motivo, o poema incorpora o dinamismo da criação, permitindo diferentes leituras.

Referências:

SOARES, Angélica. A paixão emancipatória: vozes femininas da liberação do erotismo na poesia brasileira. Rio de Janeiro: Difel, 1999.

O erótico-obsceno na música sertaneja


por Marilda Barbosa Alves

A linguagem erótico-obscena tem sido intensamente difundida em todos os meios de comunicação de massa. Dentre eles, destacamos a música sertaneja que, por ser tão reproduzida em nossa região, contribuirá no perfeito entendimento de nossos estudos.

Tecemos algumas considerações sobre este léxico e, para tanto, escolhemos a canção “A fruta-vida”, interpretada por Gino e Geno, e a canção “Fogo no rabo”, interpretada por Teodoro e Sampaio.

Em ambas as canções, encontramos uma gama imensa de vocábulos e estruturas que buscam dizer sem dizer. São letras que evocam e fazem apologia ao erótico-obsceno, ou seja, trabalham com palavras que tem sentido duplo e que no contexto geral da música, remetem às genitálias e ao ato sexual. Nas canções citadas, exploram, quase que invariavelmente, a figura feminina, abordando sempre uma linguagem erótico-obscena que, atualmente, se popularizou graças à mídia e à censura que se tornou mais flexível. Ressalta-se que tal modalidade lingüística sempre existiu e hoje, não restringe sua utilização apenas à parcela de falantes considerada menos culta.

O uso de metáforas é bastante recorrente nas canções mencionadas, isto porque, existe um tabu para o uso dos nomes que denominam os órgãos genitais e, para tal, são utilizadas outras palavras que são escolhidas através de associações, que podem ser: pela cor, pelo cheiro, pelo formato. Como por exemplo, na canção “A fruta-vida”, interpretada por Gino e Geno, já no primeiro verso “A fruta que eu mais gosto como até o caroço...”, encontramos a palavra fruta utilizada em um novo contexto, diferente do significado que o signo em primeira instância nos remete: aqui a palavra se refere ao órgão sexual feminino. Ao longo da canção, outros vocábulos são utilizados para complementar o que o autor se dispôs a fazer: assim forquilha nos remete ao vértice das pernas, à região pélvica, onde se encontra a vagina, anteriormente definida como fruta. Ainda encontramos os vocábulos grudadinha, peladinha e cabeluda, mostrando as características da genitália feminina.

Só dá uma no pé.
Grudadinha na forquilha.

Ela tem vários nomes.
E a aparência as vezes muda.
Algumas são peladinhas.
E outras são cabeludas.

Já na canção de Teodoro e Sampaio “Fogo no rabo”, a metáfora se dá com as palavras pistola e cabo, fazendo referência ao órgão sexual masculino. Os objetos mencionados, por sua aparência cilíndrica, servem de referencial e comparação com o pênis, além de supor que este pênis esteja em estado de ereção devido à consistência de tais objetos.

O termo pistola faz menção a uma arma de fogo que expulsa um projétil com grande velocidade através de um orifício em sua extremidade. De semelhante modo, o pênis lança o esperma quando ejacula. O cabo, analisando sua utilização, refere-se a uma parte da madeira ou outro objeto cilíndrico e duro que acopla em uma ferramenta por meio de um orifício próprio, conforme se faz com o pênis durante o ato sexual. Nos dois casos, “pistola” e “cabo”, as palavras que substituem os nomes das genitálias são utilizadas tomando como referência a forma que elas possuem e que lembram o órgão genital masculino quando ereto.

Vou levar minha pistola
E já vou com a mão no cabo
Nós vamos lá pro motel

Vamos fazer um trembel
E apagar o fogo do rabo.


Fica evidente que, aos autores e intérpretes destas músicas, interessa principalmente a popularização da canção por questões comerciais, já que falta muito de apuro literário e sobra vulgarização do tema, composto em versos apelativos e estrofes e ritmos de fácil memorização. O presente trabalho tem o propósito de trazer à tona dados relevantes que contribuam para se entender melhor à produção do léxico erótico-obsceno na música sertaneja.

Referências:

SAVAGLIA, Claúdia & ORSI, Vivian. O léxico erótico-obsceno em italiano e português: algumas considerações.

BIDERMAN, Maria Tereza Camargo. As ciências do léxico. In: ISQUERDO, Aparecida Alegri & OLIVEIRA, Maria Pinto Pires (org.). As ciências do léxico: Lexicologia, Lexicografia, Terminologia. 2ª Ed. Campo Grande: Ed. UFMS, 2001.

09 dezembro 2008

Curiosidades sexuais: festas de fertilidade


por Blenda Vieira

Numa das civilizações mais antigas do mundo, a dos sumérios [5 a 6000 A.C.], na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, venerou-se a deusa da Terra, Inini, como criadora do amor e “abridora do ventre das mulheres”. Os sumérios realizavam festas de fertilidade onde as mulheres casadas poderiam fazer sexo com qualquer homem, além do marido, desde que se cumprisse uma regra: deixar cair na terra o sêmen do homem que não era seu marido, a fim de não fecundá-la, pois, do contrário, faltaria com o respeito ao marido.

Fato curioso: a população dos sumérios era governada pelos sacerdotes como reis
do Estado, e eram eles os escolhidos pelos maridos para tirar a virgindade de
suas futuras esposas.

ROCHA, José Martinho da. Virgindade Sexo Família. Editora Rio: 1972. 253 p.