29 novembro 2008

Literatura Erótica ou Pornográfica



por Rogelina Ferreira Machado

Estes são termos de difícil definição, pois se confundem, já que abordam temas aproximados como: a relação entre amor e paixão, as relações sexuais, os órgãos genitais, tanto o masculino quanto o feminino, e o corpo humano de uma forma geral.

Embora trabalhem com os mesmos temas, é devido à forma como cada um é abordado que se podem distinguir os termos literatura erótica ou pornográfica e poesia erótica ou amorosa. Entretanto, de modo bastante freqüente, esses gêneros se fundem e se confundem.

Uma tentativa de conceituação de literatura erótica e pornográfica

A literatura erótica não está diretamente voltada para os efeitos imediatos de excitação sexual, embora possa levar os leitores a estes efeitos, ela busca representar uma das formas da experiência humana que é a erótica. A atividade erótica não usa a relação sexual como objetivo para a reprodução, conforme Bataille nos diz:

A atividade sexual de reprodução é comum aos animais sexuados e aos homens, mas, aparentemente, apenas os homens fizeram de sua atividade sexual uma atividade erótica, o que diferencia o erotismo e a atividade sexual simples como uma pesquisa psicológica independente do fim natural que ocorre na reprodução e na preocupação com a prole.

Nesta literatura, é representada a união entre dois seres de forma envolvente, onde estão em jogo palavras sussurradas ao pé-do-ouvido, carícias delicadas, toques em lugares inesperados, pois, na atividade erótica, onde não se tem preocupação com a reprodução, estas ações poderiam proporcionar o prazer.

A literatura erótica faz uso de uma linguagem sem palavras obscenas e muitas vezes não faz referência direta aos órgãos sexuais e ao sexo. Como exemplares de obras que pertencem à ficção erótica temos os seguintes contos: “Solfieri” de Álvares de Azevedo, e “O aventureiro húngaro” de Anais Nin, dentre vários outros.

A literatura pornográfica, ao contrário da erótica, está diretamente ligada aos efeitos imediatos de excitação sexual. Nela está presente uma linguagem simples e por vezes chula, pois fala claramente sobre os órgãos sexuais e sobre as relações sexuais, com o intuito de despertar reações emocionais e físicas nos leitores.

Na literatura pornográfica é apresentado a todo o momento a carnalidade, com a exposição dos corpos nus que se encontram na relação sexual. O ato sexual aparece desprovido de contextualização, já que a disponibilidade dos corpos para o sexo é total. O nível de elaboração textual é geralmente baixo e, em muitos casos, os textos não poderiam ser chamados de literatura no sentido usual do termo. A internet está povoada de textos desse tipo. No site http://www.contoseroticos.com.br, podem ser encontrados vários exemplos de textos pornográficos.

Entretanto, a pornografia, quando tratada de modo transgressor, como no caso de alguns textos como O caderno rosa de Lori Lamby, de Hilda Hilst, ou os textos escritos pelo Marquês de Sade, pode ser um mecanismo de chamada de atenção para aspectos complexos da sociedade.

Referências:


BATAILLE, Georges. O erotismo. Tradução de Cláudia Fares. São Paulo: Arx, 2004.

PAES, José Paulo. Poesia erótica em tradução. Seleção, tradução, introdução e notas de José Paulo Paes. São Paulo: Cia das Letras, 1990.