27 novembro 2010

Hipótese repressiva para a sexualidade no conto “A língua do “P”



Por Marília Nunes Ribeiro

A repressão sexual, que era própria das sociedades chamadas burguesas, foi marcada principalmente no século XVII, chamado a “Idade da Repressão”. Nessa época, existia, principalmente sobre as mulheres, uma moral que reprimia a sexualidade, a sua prática era permitida dentro do casamento e na maioria das vezes era tolerada com sacrifícios pelas mesmas. Com a ascensão da burguesia, a repressão sexual faz funcionar a máquina do capitalismo, pois, para essa sociedade, mantendo o controle sobre o sexo, os interesses sobre as classes dominadas eram mantidos.

A sociedade burguesa faz algumas concessões sobre o sexo, como escreve Foucault (1988): “Se for mesmo preciso dar lugar às sexualidades ilegítimas, que vão incomodar noutro lugar: que incomodem lá onde possam ser reinscritas, senão nos circuitos da produção, pelo menos nos de lucro...” no caso seriam as casas de prostituição, por ecemplo, as zonas de tolerância onde tudo é permitido; fora desses ambientes, o assunto sexo se torna inexistente. 

No conto “A língua do “P” da autora Clarice Lispector, a personagem Cidinha passa por uma situação difícil e a única saída que encontra é se fingir de prostituta para se livrar dos bandidos. Depois de ter sido presa e solta pela polícia, Cidinha tinha uma preocupação: havia sentido vontade de ser estuprada pelos bandidos e diante desta descoberta a personagem disse: “Eu sou uma puta”, e isto a deixa arrasada, pois como já vimos anteriormente, esses pensamentos e desejos eram considerados como pecado e proibidos diante da sociedade e da igreja.

De acordo com Foucault (1988), “se o sexo é reprimido, isto é, fadado à proibição, à inexistência e ao mutismo, o simples fato de falar dele e de sua repressão possui como que um ar de transgressão deliberada”.

Referências:
FOUCAULT, Michel. História da sexualidade I: A vontade de saber. Rio de Janeiro: Edição Graal, 1988.
LISPECTOR, Clarice. A língua do “P”. In:______. A via Crucis do corpo. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

2 comentários:

Unknown disse...

Concordo com o texto e acho que por mais que o tempo tenha passado e as pessoas tenha mudado, muitas mulheres quando pensam algo mais vulgar, elas proprias se consideram prostitutas, pois em suas mentes só cabe a essa categoria esse tipo de atitude.

Erli Porto disse...

Interessante como no capitalismo atual está havendo uma transfêrência de desejos. Somos todos/as seres desejantes e desejosos o tempo todo como se fossêmos morrer de tesão. Se antes a mulher era proibida de desejar hoje ela é impelida o tempo. Ai daquelas que realmente estiverem com dor de cabeça! Serão logo encaminhadas a um Psicológo, melhor ainda se for especialista em SEXO!